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A Fajã da Rocha da Relva

Aníbal Raposo

Açores

O caminho faz-se devagar, a pé ou de burro, pernas viradas para a escarpa, como as amazonas. Assim que Aníbal Raposo chega à Fajã da Rocha da Relva, abre a porta de casa e sopra um búzio. O som ecoa pela encosta, avisando que está de volta.

Engenheiro reformado, poeta, músico e cantautor, Aníbal conhece a fajã como poucos. Planta vinhas e pomares para as gerações futuras, vive com o ritmo da terra e do mar, mantém vivas as tradições de um lugar onde cada gesto tem um significado ancestral.

No Octant PONTA DELGADA, sente-se esse mesmo respeito pela ilha – pela natureza, pela cultura e pelas histórias de quem, como Aníbal, ensina que viver o território é compreendê-lo e celebrá-lo todos os dias.

O caminho para lá chegar é feito a pé ou de burro, sentado de lado como as amazonas com as pernas viradas para a escarpa. Assim que Aníbal Raposo chega lá abaixo à Fajã da sua vida, abre a porta de casa, pega num búzio enorme e sopra. O som ecoa por toda a Fajã da Rocha da Relva e anuncia a sua presença. A vida na Fajã é simples. Cultiva-se em pequenos patamares vinha, tradicionalmente casta americana, cujo vinho de cheiro é bebido como cortesia sempre que se entra numa casa vizinha. A fajã tem os seus códigos, vividos desde tempos ancestrais do início do desbravar da terra e do povoamento da Ilha. Terras férteis junto ao mar, de difícil acesso, celeiros para alimentar povoações e famílias a viver em povoações com melhores acessibilidades. Engenheiro agora reformado, Aníbal investe tempo e saber a plantar um pomar de frutas tropicais, para os seus descendentes. Da casa à escarpa, pequenos degraus dão acesso às árvores. Fala delas com propriedade e encantamento. Da passagem pela Porto, onde estudou arquitetura e se realizou profissionalmente, ficou-lhe a vontade de voltar aos Açores. Na sua terra natal, é possível encontrá-lo em cima de um palco. Músico, poeta, cantautor, mistura a cultura popular com música tradicional e influências da música de intervenção.

Mas é na Fajã da Rocha da Relva que Aníbal vive em pleno desde que nasceu. Acompanhá-lo numa ida à Fajã é aprender geologia, flora e fauna da Ilha. É valorizar as aprendizagens que a terra e o mar dão, reconhecer como se pode viver e amar plenamente o lugar que nos constrói enquanto seres humanos.

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